Football.fun e a arte de transformar hat-tricks em day trading
Edição #989 - dia 30 de agosto de 2025
Há quatro anos, o jogo de blockchain NBA Top Shot registrava volumes mensais superiores a US$ 330 milhões, prometendo revolucionar a forma como colecionamos cards esportivos. Em dezembro de 2022, esse número havia despencado para menos de US$ 3 milhões. História conhecida no mundo cripto, final também previsível. Agora, em agosto de 2025, um novo protagonista surge na blockchain da Base, rede de segunda camada da Ethereum, prometendo fazer diferente com o futebol, o esporte mais popular do planeta. O NFT game Football.fun chegou com força: alcançou US$ 100 milhões em Total Value Locked (TVL) em apenas duas semanas, chegando a US$ 25,7 milhões em volume de negociação e mais de 10 mil depositantes únicos.
O que começou como um projeto relativamente discreto, levantando US$ 2 milhões em seed round liderado pela 6th Man Ventures em julho, rapidamente se transformou no que analistas já chamam de "o NBA Top Shot do futebol". A comparação não é gratuita: assim como seu predecessor no basquete, Football.fun transformou jogadores em ativos negociáveis em formato de NFTs, prometendo unir o melhor dos dois mundos: fantasy sports e trading especulativo. Mas há uma diferença fundamental: enquanto o Top Shot vendia "momentos" em formato NFT, o Football.fun opera com "shares" fracionadas de jogadores, criando um mercado mais líquido e acessível aos degens, digo, investidores.
A mecânica é elegantemente simples, o que a torna quase perigosamente viciante. Usuários depositam USDC e recebem Gold (na paridade 1:1). Gold é usada para comprar ações de jogadores reais. Duas vezes por semana há torneios, de sexta a segunda e de terça a quinta, em que o desempenho real dos atletas gera Tournament Points (TP) e Skill Points (SP). Goleiros que mantêm o zero no placar na vida real rendem pontos no mercado cripto, atacantes que marcam gols viram ouro digital. É o fantasy football tradicional com esteroides blockchain, temperado com a dopamina dos investidores day-traders. O timing não poderia ser mais calculado. O lançamento oficial ocorreu em 11 de agosto, bem no início das principais ligas europeias.
O cassino que não quer dizer seu nome
Os números impressionam e assustam na mesma medida. Harry Kane viu seu token saltar de US$ 0,158 por fração para US$ 0,731 após um hat-trick, uma valorização de 362% em questão de horas. Pedri surfou uma onda similar, subindo 236% após marcar um gol pelo Barcelona. Traders que entraram no sábado reportaram ganhos de três a a quatro vezes em seus portfólios em menos de 24 horas. É o tipo de retorno que faz qualquer gestor de hedge fund questionar suas escolhas de vida.
A plataforma já gerou mais de US$ 2 milhões em taxas, cobrando 5% de cada transação, percentual que pode chegar a 25% durante períodos de alta volatilidade. É um modelo de negócio que faria qualquer casa de apostas tradicional babar de inveja. A matemática é brutal e transparente: para cada milhão movimentado, pelo menos US$ 50 mil vão direto para o protocolo. Em picos de FOMO, esse valor pode quintuplicar.
O sistema de "Packs" adiciona uma camada extra de gamificação. Nesse sistema, usuários podem reivindicar pacotes gratuitos a cada quatro horas, contendo ações aleatórias de jogadores, uma mecânica emprestada diretamente dos jogos gacha que dominam o mercado mobile asiático. É o FIFA Ultimate Team encontrando o DeFi, com uma pitada de vício comportamental cientificamente calibrado para manter investidores ativos.
Mas o que realmente diferencia o Football.fun é sua honestidade brutal disfarçada de inovação. Enquanto outros projetos Web3 se escondem atrás de jargões sobre "democratização" e "propriedade digital", aqui o propósito é claro: é especulação pura, temperada com pitadas de conhecimento futebolístico. Como observou um usuário no X: "Você não apenas escolhe jogadores. Você possui ações deles". A sutileza morreu, viva a transparência capitalista.
A distribuição de recompensas segue uma lógica implacável: quanto maior sua participação em um jogador vencedor, maior sua fatia do prêmio. Se você possui 500 das mil ações ativas de um jogador que performou bem, leva 50% das recompensas. É meritocracia algorítmica em sua forma mais pura. Além disso, 19% do prêmio total vai para recompensas de equipe, mas apenas se o time tiver pelo menos dez membros, uma tentativa de criar comunidade em meio ao individualismo feroz do trading.
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Entre a revolução e a repetição histórica
Os paralelos com o NBA Top Shot são impossíveis de ignorar e os críticos já apontam as semelhanças perturbadoras. Ambos prometeram revolucionar o colecionismo esportivo, ambos atraíram especuladores disfarçados de fãs, ambos criaram economias baseadas na busca pelo "maior tolo", em que o lucro de uns depende da entrada constante de novos jogadores. A diferença é que o Football.fun pelo menos não finge ser outra coisa.
O modelo econômico levanta questões existenciais. Sem um token nativo ou estrutura de dividendos, a sustentabilidade depende inteiramente de manter o trading ativo e aquisição constante de novos usuários. É um castelo de cartas construído sobre a premissa de crescimento infinito, algo que a história dos mercados especulativos sugere ser, na melhor das hipóteses, otimista.
Ainda assim, há elementos que podem garantir maior longevidade. O futebol, ao contrário do basquete americano, é verdadeiramente global. As cinco principais ligas europeias (Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha e França) movimentam as paixões (e carteiras) de Jacarta a São Paulo. O fato de ser totalmente baseado no navegador, sem necessidade de downloads, remove barreiras significativas de entrada. É Web3 para as massas ou pelo menos para as massas com USDC sobrando.
A equipe por trás merece crédito pela execução. Mike Dudas e Serge Kassardjian, da 6th Man Ventures, têm histórico no ecossistema crypto. Dudas fundou o The Block, uma das principais publicações do setor. Eles sabem o que estão construindo e, mais importante, para quem.
O timing regulatório também joga a favor. Com a recente clareza sobre ativos digitais nos EUA e a Base, fornecendo infraestrutura confiável via Coinbase, o projeto opera em águas relativamente calmas. É cripto em 2025: menos selvagem oeste, mais cassino regulamentado.
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Para os otimistas, Football.fun representa a evolução natural dos fantasy sports. Usuários reportam que a plataforma recompensa conhecimento e timing, não apenas capital. Identificar jogadores subvalorizados antes da massa pode gerar retornos desproporcionais. É uma análise fundamentalista aplicada ao futebol, com recompensas em tempo real.
Os pessimistas vêem apenas mais uma iteração do mesmo ciclo vicioso. Como observou um analista alemão: "Não temos um único jogo na blockchain que tenha se mantido sustentável no mercado". A lista de cadáveres ou mortos-vivos é extensa: CryptoKitties, Axie Infinity, STEPN. Todos prometeram revolucionar o mercado de games, mas todos acabaram como notas de rodapé em relatórios sobre bolhas especulativas.
O futuro dirá se Football.fun será diferente. Por enquanto, o que temos é um experimento para a psicologia de massas, economia comportamental e a eterna busca humana por transformar paixão em lucro. Se você está considerando entrar, lembre-se: o modelo atual de beta fechado com códigos de convite cria escassez artificial e FOMO, táticas antigas só que agora em roupagem Web3.
O lançamento completo do "FDF Pro" está ocorrendo agora (no máximo, até amanhã), prometendo funcionalidades o-chain completas. Será o momento da verdade: quando as rodas de treinamento saem e o projeto precisa provar que é mais que um hype momentâneo.
Enquanto isso, Lamine Yamal está sendo negociado a US$ 1,98, Mbappé a US$ 1,41, e milhares de traders ao redor do mundo refresham suas telas obsessivamente, esperando o próximo hat-trick que pode multiplicar os seus portfólios. É o beautiful game encontrando o ugly business da especulação financeira. O resultado? Um espetáculo impossível de ignorar, mesmo que você queira.
Como sempre no ecossistema cripto, a linha entre inovação e insanidade é tênue. Football.fun dança nessa corda bamba com a graça de um Ronaldinho em seus melhores dias, o que pode ser impressionante de assistir, mas impossível de prever o final. Se vai terminar em glória ou lágrimas, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: vai ser um jogo muito interessante de acompanhar.
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